Transformando o momento de
Quarentena em Aprendizagem
É sempre bom quando sonhamos com um compromisso. Sou um
Psicólogo Educacional/Escolar como sonho de infância.
Como um Psicólogo Escolar, como posso contribuir neste
contexto socio-económico em que nos encontramos, falo concretamente do
CORONAVIRUS ?
Acredito que a nossa mente é a fonte e termómetro do
nosso estado emocional daí, que controlar o nosso estado do bem-estar emocional
é mais uma ferramenta adicional as medidas divulgadas pela OMS para nos
prevenir da COVID-19.
Existe na minha opinião pensamentos de risco que de forma
individual ou colectiva contribuem silenciosamente para o mau - estar do
indivíduo em geral.
Estudos revelam que a procura exagerada e em fonte não
credível de informações acerca do Coronavirus
é fonte do surgimento do medo e
do pânico. E naturalmente o medo provoca doenças psicossomáticas, que o seu
diagnóstico tem sido muito difícil de identificar.
A destacar alguns
exemplos: dores de cabeça, de articulações, má disposição para realizar
tarefas, stress laboral, ansiedade, nervosismo, estado de alerta, etc.
Assim é preciso lembrar que existe muita
possibilidade de algumas crianças/alunos que se encontram em quarentena de
estar a vivenciar este tipo de perturbações resultantes de vários factores:
a) Falta de esclarecimento de dúvidas que as crianças
de 6 aos 8 anos de idade podem estar
levantar. Exemplo:
·
Quando
vai terminar a COVID-19?
·
A
COVID -19 existe na escola?
·
A
COVID-19 existe na rua?
·
Será
que os meus colegas, professor/a vão morrer?
·
Se
os meus pais morrerem o que vai ser de mim? Entre outras perguntas que o caro
leitor pode imaginar.
É
preciso caros pais e encarregados de educação criar espaço de triagem com os
nossos filhos de modo a perceber quais as dúvidas ou seja curiosidades que eles
apresentam para o seu esclarecimento.
b)
Trocar opiniões duvidosas entre adultos acerca da COVID-19.
Não
podemos esquecer que quando conversamos em casa as crianças escutam e examinam
a conversa dos mais velhos. E sendo uma conversa que os mais velhos não
conseguem chegar ao consenso, imagine o seu filho como fica.
Por
exemplo: Pai eu não acredito que a COVID-19 pode ser curado pelo fio de cabelo
encontrado na Bíblia, e assim pai e mãe levantam um debate interminável,
transmitindo igualmente uma incerteza para os seus filhos.
c)
Disponibilizar telefones e computadores sem controlo ou seja sem pré-aviso de
possibilidade de encontrar informações que possam perturbar o seu pensamento.
É
necessário lembrar que vários vídeos ou imagens estão a ser enviados com
objectivos obscuros. O melhor é treinar seu filho de modo a desenvolver a sua
auto -regulação, escolher sempre que possível o que é bom.
d)
Estabelecer uma conversa quando o pai ou encarregado de educação voltar da sua
ocupação que permita descobrir o que a criança ficou a fazer. Parece utopia
acreditar que com uma conversa orientada é possível diagnosticar o
comportamento do seu filho na sua ausência mas não é. Por exemplo um diálogo
orientado com estas questões pode ajudar.
·
Como
foi o seu dia hoje?
·
O
que fez?
·
Será
que gostou?
Em
função da resposta da criança é possível descobrir aspectos a serem abordados e
melhorados para garantir o desenvolvimento integral (psicomotor, cognitiva e
afectivo).
Encontramo-nos
num período em que as crianças estão em casa em quarentena e o desafio de dar
continuidade com os estudos é grande.
Eu
como pai como posso ajudar o meu filho? Acredito que esta é uma questão que
preocupa muitos pais e encarregado de educação.
Ora
vejamos.
Estamos
em pleno estudo entre pai e o filho na disciplina de Química 10ª classe. Os
desafios são enormes, primeiro é o diagnóstico do que ele tem como pressuposto
para a compreensão do conteúdo com o tema: Propriedades químicas e físicas do carbono. Matéria já desenvolvida pelo pai no
ano 2000 tudo indica que o domínio deste conteúdo é defeituoso. E agora, como
ajudar? Esta é a preocupação que muitos pais igualmente podem estar a
enfrentar. Tive que recorrer a algumas estratégias a citar:
ü Pedir o menino para procurar um caderno de um amigo que
tenha feito a 10ª classe nos anos anteriores,
ü Recorrer a pesquisa na internet para comparar a
informação do caderno fornecido,
ü Uma leitura conjunta com vista a assimilar o conteúdo,
ü Elaborar exercícios de aplicação a ser resolvido pelo
filho e,
ü Finalmente uma correção conjunta comparando as respostas
com o conteúdo da fonte. Esta
estratégia acima ajudou-nos alcançar o objectivo traçado: consolidar o conteúdo
em aprendizagem tanto para o pai e o filho e tornando o momento de quarentena
em tempo produtivo.
Trata-se do conteúdo da 2ª classe com o tema: Leitura do texto.
Passos
simples.
·
Leitura
do alfabeto de A à Z;
·
Leitura
do quadro silábico;
·
Leitura
dos ditongos
Leitura
de palavras simples
Finalmente
leitura de textos simples acompanhados com algumas imagens.
Neste
contexto o papel do pai é realmente ajudar a criança a repetir tantas vezes
necessárias a pronunciar corretactamente as sílabas e palavras sem se esquecer
que trata-se do pai e filho, a amizade e boa convivência é preciso ser mantida
através de uma boa motivação que possa lhe despertar interesse e vontade de
continuar. Por exemplo: Vamos estudar, no fim dos nossos estudos vai me dizer
qual é o programa ou canal da sua preferência.
Para
terminar com a minha viagem deixe apenas dizer:
a) O melhor que podemos fazer neste momento é aprender a
cumprir as regras;
b) Cultivar mais confiança no seio familiar;
c) Se possível alimentar-nos melhor de modo a fortificar
a nossa imunidade;
d) Temos telemóveis com acesso a redes sociais, mas é
sempre bom usar de forma correta, isto é, como fonte de aprendizagem;
e) O medo e o
pânico não devem ser a fonte de defesa para a nossa sobrevivência mas sim vamos
superar o medo e o pânico agindo de
forma positiva;
f) É o tempo de cada um de nós unir-se cada vez mais com
Deus desenvolvendo boas obras, não vamos multiplicar o pecado mas sim evitar
para que Ele (Deus) tenha espaço para agir no nosso belo Moçambique;
Espero
que das mil palavras aqui escritas uma tenha
lhe interessado e despertado mais interesse pela vida e como intervir de
modo a ensinar os mais novos.
O interesse desperta a inteligência e a coragem concretiza. Por: Humberto Filipe Cuamba. ( In: Transformando o momento de quarentena em aprendizagem).
O interesse desperta a inteligência e a coragem concretiza. Por: Humberto Filipe Cuamba. ( In: Transformando o momento de quarentena em aprendizagem).

